segunda-feira, 19 de maio de 2014

Resultados


A proposta de inserção do blog em uma atividade para 1º e 2º anos do Ensino Fundamental I foi realizada. Os alunos fizeram uma votação para decidir com qual conto de fadas iriam trabalhar, após manusearem diferentes livros e edições. A fim de que descobrissem que o clássico infantil mais votado foi Branca de Neve e os sete anões, foi apresentada a seguinte imagem aos alunos:


As crianças conseguiram descobrir qual foi o conto de fadas escolhido apenas após uma análise mais atenta da imagem. Feita a descoberta, os alunos foram para a sala de informática da escola para fazer o uso de softwares educativos e listar as palavras-chave da história. Com a ajuda da internet, os alunos pesquisaram mais informações sobre a história.
Esclareceu-se com os alunos o que é um blog, quais os recursos necessários para a sua criação e qual a sua finalidade. Logo em seguida, o blog foi criado com os alunos do 1º ano do EF, e sua aparência foi modificada pelos alunos do 2º ano do EF de outra escola.
Os alunos da 2º ano do EF montaram um roteiro para a história, que orientou a produção de fotos para a sua ilustração.  Os alunos postaram essas fotos no blog, e, em seguida, elaboraram o texto que acompanharia as imagens.
Os alunos do 1º ano entraram no blog e fizeram uma releitura do que já havia sido postado: perceberam a falta de algumas fotos para a sequência do conto, e fizeram algumas sugestões de mudança de algumas expressões. Depois de estabelecidas todas as mudanças que deveriam ser feitas, os alunos fizeram as fotos faltantes e as editaram, fazendo o uso de ferramentas como o PhotoShop, e reescreveram o conto para postar no blog.
O resultado dessa atividade foi o fotoblog TAUFIC & POUSA, com imagens e o conto reescrito.  Por ser uma atividade feita em uma plataforma da internet, os próprios alunos, além de outras pessoas, podem acessá-lo de onde quiserem e deixar comentários. Esse blog pode ser usado pelos professores ao longo do ano letivo da maneira que julgarem melhor.
Esse trabalho feito com os alunos de 1º e 2º anos do EF nos mostra a possibilidade de exploração de ferramentas digitais no letramento e, enfim, na educação de maneira geral.

Proposta de atividade em sala de aula com alunos do 1º e do 2º anos do Ensino Fundamental

Justificativa:

“Como a escola pode inserir as tecnologias nas atividades das séries iniciais, fazendo com que a criança se aproprie das capacidades de comunicação, do sistema de escrita, do conteúdo trabalhado e das tecnologias digitais?”
A comunicação pressupõe mais que a simples alfabetização. Nesse sentido, as propostas multimodais expandem as possibilidades de aprendizagem, a partir de um novo ambiente de comunicação e de uso concreto da língua/linguagem.

Objetivos:

Com o intuito de orientar os professores a direcionarem os alunos dos anos iniciais (1º e 2º) do Ensino Fundamental (EF), a sequência didática propõe a multimodalidade nos novos letramentos. Por meio desse recurso, podem ser trabalhados os conteúdos da grade curricular regular, em especial, a alfabetização.

Proposta da sequência didática:

Trata-se de um processo de elaboração de um blog, a partir de uma atividade conjunta dos alunos com o(a) professor(a), que apresente a (re)leitura que as crianças fizeram de um conto de fadas escolhido.

Multiletramentos

O ensino com base nos multiletramentos tem por princípio a multimodalidade, de forma que sejam utilizados, no processo de educação, diversos recursos linguísticos, visuais, gestuais, espaciais e de áudio, considerando a multiplicidade de significações e de contextos/culturas aos quais os alunos são expostos. Essa estratégia de ensino/aprendizagem se expande ainda mais se levada para o nível da “hipermodalidade”, em que o texto planificado e linear perde espaço para o hipertexto e as hipermídias, os quais garantem uma multiplicidade de percursos a serem traçados, por meio dos links.
A hipermodalidade e as hipermídias, por sua vez, envolvem o conceito de hibridismo cultural. Tento em vista que, na atualidade, interesses de diversas ordens, como sócio-históricos, estéticos e comunicacionais, se apresentam fortemente interligados, as classificações compartimentadas que diferenciavam as funções e os lugares específicos atribuídos aos objetos e aos signos perdem a consistência, dando espaço ao cruzamento e à interatividade promovida pelas hipermídias.
Nessa perspectiva, mais do que ferramentas, as tecnologias devem ser objeto de ensino. O trabalho escolar, assim, pode estimular a desconstrução e a reconstrução de conceitos ou de textos já conhecidos, a partir da hipermodalidade. Por meio do suporte interativo oferecido por essas mídias didáticas, as crianças interligam conhecimentos e avaliam, na prática, os usos da língua, da linguagem e das ferramentas escolhidas. Tudo isso reforça a abordagem enunciativa da linguagem, na vertente bakhtiniana, em que a produção de enunciados (e, nesse caso, dos trabalhos escolares) é enriquecida pela diversidade de gêneros discursivos, bem como pelas situações comunicativas e pelas relações dialógicas que lhe constituem.
As práticas educativas propostas foram orientadas pela relação entre multiletramentos, ensino e aprendizagem, privilegiando seu aspecto social. A partir da efetivação de mudanças culturais e tecnológicas no processo de alfabetização dos alunos, os letramentos escolares foram ampliados. Assim, o blog constitui um meio para as práticas de leitura e escrita, possibilitando novos letramentos com base no acesso a novas fontes de informação e a diferentes condições de produção, que favorecem certos processos cognitivos.

domingo, 18 de maio de 2014

Alfabetização em multiletramentos

Para falar de alfabetização em multiletramentos, as autoras fazem análise de uma brincadeira que corre na internet:  uma pessoa pergunta ao pássaro do Twitter se ele não acha que limitar a comunicação a 140 caracteres não reduz as habilidades de leitura e escrita. A resposta é: não! Basta fazer um link
A brincadeira é uma  clara alusão aos hipertextos, que como característica o uso de links, por meio dos quais o texto interage com diversas outras fontes, que complementam sua significação e compreensão.
Lamke (2002), afirma que, o hipertexto difere do texto impresso por não ser somente a justaposição de imagens e textos, mas por ter um design que permite várias interconexões, possibilidades diversas de trajetórias e múltiplas sequências.
A articulação entre hipertexto e multimodalidade, gera novas interações em que palavras, imagens e sons estão linkados em um complexa rede de significados, que ser  chamada de hipermodalidade ou hipermídia.
Neste espaço digital, tem-se o problema da autoria e da  apropriação, pois os campos da produção são cada vez mais interativos e colaborativos (Web e Wiki). A escola ficou à parte, os os ambientes colaborativos de aprendizagem parecem restringir ao universo virtual.
As tecnologias digitais geram novas possibilidades de expressão e comunicação. Além disso,  estão inserindo novos modos de comunicação como criação e uso de imagem, de som, de animação e a combinação dessas modalidades.
Verifica-se cada vez mais  a presença das mesmas em nosso cotidiano, mas as tecnologias da escrita também devem ser cultivadas.
Esse procedimento exige o desenvolvimento de  diversas habilidades, de acordo com várias modalidades, originando nova área de estudo relacionada com os novos letramentos: digital, visual, sonoro, informacional – ou os multiletramentos.

Introdução: alfabetização e letramento

As autoras, ao introduzirem  o capítulo sobre alfabetização e letramento, mostram que o processo de letramento independe  do processo de alfabetização, pois  as crianças antes mesmo de serem alfabetizadas, já possuem contato com mundo das letras, através da leitura de rótulos, imagens, gestos, emoções. O fato de não saber ler/escrever   não impede que elas sejam inseridas neste processo.(letramanto)
Segundo Magda Soares (2000:47)  o termo letramento é  estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva as práticas sociais  que usam a escrita.
De acordo com mesma autora,  a alfabetização é a ação de ensinar e aprender a ler e escrever. A partir dessas definições se pode observar que o conceito de letramento comporta o conceito de alfabetização, o que não se vê no conceito de alfabetização, supõe estratégias específicas.
No processo de letramento abrem-se  espaços para  compreender os contextos sociais e sua relação com a as práticas escolares, proporcionando a investigação de relações existentes entre prática não escolares e o aprendizado da leitura/escrita.
Sendo um fenômeno social, este processo deve introduzido no  espaço escolar os usos sociais da escrita, considerando que a vivência e prática do letramento podem  modificar as condições de alfabetização.

Sobre o blog

Olá, pessoal! Eu, a Bárbara e a Libânia criamos esse blog com o intuito de apresentar, de forma resumida, o texto “Blog nos anos iniciais do Fundamental I: A reconstrução de um clássico infantil”, de Gislaine Cristina Correr Lorenzi e Tainá-Rekã Wanderley de Pádua - que é um capítulo do livro Multiletramentos na escola, organizado por Roxane Rojo e Eduardo Moura.

As autoras, no texto, nos explicam sobre multiletramentos, tecnologias (e a sua relação com ensino) e, a partir disso, nos apresentam uma proposta de inserção de tecnologias em atividades das séries iniciais da escola. Em seguida, nos apresentam a prática dessa proposta. Iremos, nos posts a seguir, falar um pouco sobre esse texto.